Internationational Systemic Constellations Association

Capítulo 1: Uma visão global

O que caracteriza o trabalho das Constelações Sistémicas é a constelação fenomenológica que foi originalmente desenvolvida para as famílias e depois aplicada a outros sistemas como os empresariais, organizacionais, educacionais e ao campo médico. Estas Constelações evoluíram a partir de três aspectos diferentes:

Em primeiro lugar, a teoria sistémica desenvolvida pelos terapeutas familiares no fim da segunda metade do século XX e que fornece a base teórica para entender as dinâmicas que emergem nas Constelações.

A teoria sistémica reconhece que todos os elementos dentro de um sistema, como sejam os membros de uma família, são interdependentes e interactivos. Também reconhece que o sistema é maior do que a soma das partes. Assim se colocar no chão todos os componentes de um automóvel, não obteremos um automóvel como resultado. Da mesma forma, uma família é mais que uma quantidade de indivíduos agrupados conjuntamente. Cada indivíduo tem papéis específicos e desenvolve o seu próprio modo de relacionamento com cada um dos outros indivíduos. Isto torna-se muito claro através desta frase simples:  “os pais são os pais e as crianças são as crianças”.

Para saber mais sobre a Teoria Sistémica e a Terapia Familiar

O segundo aspecto é a técnica que consiste em usar representantes, primeiro para representar os membros da família e mais tarde para representar elementos de sistemas maiores e inclusivamente conceitos. O primeiro exemplo de utilização desta técnica nas terapias ocidentais foi o psicodrama de Jacob Moreno, que foi desenvolvido nas décadas de 1920 e 1930.

A conjugação destes dois primeiros aspectos foi inicialmente utilizada por Virginia Satir na década de 1960 através do processo de esculturas familiares. Esta representação tridimensional das dinâmicas familiares demonstrou ser muito poderosa para descobrir e clarificar dinâmicas ocultas do sistema.

Para saber mais sobre a utilização dos representantes

A fenomenologia é o terceiro aspecto. Em termos gerais, trata-se de uma técnica que reconhece o que é, sem opiniões preconcebidas nem pré-julgadas. É técnica muito mais difícil do que parece à primeira vista e requer prática e treino mental.

No entanto, o método fenomenológico tem estado presente nas práticas Budistas de plena conciência há 2500 anos e desenvolveu-se independentemente como um movimento filosófico ocidental a partir dos tempos de Edmunde Husserl .

Mais sobre fenomenologia

Bert Hellinger foi o responsável da introdução deste terceiro aspecto, criando um novo método composto pelos três. A agregação da fenomenologia deu-nos uma forma de percepcionar, com maior profundidade, as dinâmicas sistémicas, permitindo o aparecimento de imagens interiores surpreendentes.

Bert Hellinger também desenvolveu uma série de explicações teóricas que apoiaram o desenvolvimento desta forma de trabalhar. Estas incluem temas como :

 

1.       As ordens do amor. (Hellinger 1998 p151)

2.       Uma inovadora conceitualização da consciência, da culpa e da inocência. (Hellinger 1998 pp3--49)

3.       O amor cego versus o amor iluminado que observamos nos enredos. (Hellinger 1998 p161)

4.       Uma útil conceitualização dos sentimentos, tais como: primários, secundários, dominantes e meta-sentimentos. A divisão em sentimentos primários e secundários ja tinha sido estabelecida, mas a sua origem não é clara. Marsha Lineham aborda esta distinção no seu livro Terapia do Comportamento Dialéctico no qual atribui o conceito a Greenberg e Safram (1987)

Greenberg, L. & Safran, J. Emotiom im Psychotherapy. N.Y. Guilforde Press, 1987.

Greenberg, L. & Safran, J. Emotiom im Psychotherapy. Americam Psychologist, 1989.

Hellinger B. Weber G. Beaumont H. (1998) Love's Hiddem Symmetry; What Makes Love Work im Relationships ISBM 978-1-891944-00-0

Linehan, M. M. (1993) Cognitive-behavioral treatment of borderline pessoality disorder. New York : The Guilforde Press.

Página anterior                                     próxima página