Capítulo 2: Teoria dos Sistemas e Terapia Familiar
A maioria dos princípios que sustentam o trabalho de Constelações Sistémicas foram descritos claramente por terapeutas familiares a partir da década de 1960.
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A teoria básica de terapia familiar derivou principalmente da teoria dos sistemas e da cibernética. Ludvig Vom Bertalanfy introduziu a teoria geral dos sistemas para as ciências sociais e para a psicologia durante a década de 1960. Isto levou os terapeutas familiares a desenvolver a ideia fundamental de que a família é uma unidade interactiva afectada pelas gerações passadas e opera segundo um conjunto de princípios unificadores, que incluem as seguintes ideias: |
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O todo é maior que a soma das suas partes. Desta forma um corpo humano vivo é mais que simplesmente os seus órgãos e membros. Similarmente, uma família ou organização é mais do que simplesmente uma quantidade de membros agrupados. Também depende de como estão unidos e de como interactuam.
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Todos os elementos de um sistema são interdependentes. Alterações num elemento resultam em alterações em todos os outros.
Nas dinâmicas familiares isto é particularmente evidente, quando um membro da família é excluído. Isto pode ser causado por uma série de factores, incluindo a vergonha extrema ou a pena. Se, por exemplo, um membro da família é excluído porque trouxe vergonha à família através de actividades ilegais, então essa exclusão tem consequências para todos os outros membros da família.
No sistemas orgânicos, tais como o corpo humano ou a família (por oposição a uma máquina como um automóvel), o sistema trabalha para manter o equilíbrio. Este processo chama-se de homeostasis . Nesta situação, a sobrevivência do sistema tem prioridade sobre a sobrevivência das partes que o compõem. Se, por exemplo, uma pessoa é exposta ao frio extremo, os seus órgãos vitais estarão protegidos, em quanto que as extremidades podem ser permanentemente danificadas pelo congelamento. Certamente que não é uma solução ideal, mas pode salvar a vida da pessoa. Do mesmo modo, nas famílias, um indivíduo pode ser sacrificado em benefício do sistema. As terapias familiares procuram, dentro da medida do possível, soluções melhores.
As principais escolas de terapia familiar que fornecem uma base para o trabalho das Constelações Sistémicas incluem:
| A Terapia Familiar Estrutural desenvolvida por Salvador Minuchin, em que define uma “sã” estrutura familiar. Alguns dos princípios de uma família sã reflectem-se na teoria de Hellinger “As Ordens do Amor”. Minuchim também mostrou como o movimento de membros da família de uma cadeira para outra durante uma sessão, demonstra aspectos estruturais e de alteração na família. |
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Paralelamente, os membros da Escola de Milão em Itália (Mara Selvini- Palazzoli, Luigi Boscolo, Gianfranco Cecchim ande Giuliana Prata ) começaram a trabalhar com famílias e chegaram à conclusão que os problemas envolvem a família na sua totalidade e não somente o indivíduo e que há uma repetição de padrões de uma geração para outra.
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Cada um destes importantes teóricos contribuiu para a criação de uma base de conhecimentos e uma forma de intervenção com indivíduos, casais e famílias que foi mais além dos limites do trabalho psicodinâmico. Incluíram ideias como os sintomas do indivíduo, como a anorexia, sendo vistos como uma função do sistema global. Ao reenquadrar, o terapeuta tenta conectar o conteúdo e o processo da família, de uma forma que expande o foco para incluir todos os membros da família. O efeito produzido pela imagem de cura, que frequentemente emerge durante uma constelação, serve eficazmente como um reenquadrar e fornece uma imagem duradoura duma família onde o amor flui.
O trabalho de Constelações Familiares é uma interacção dinâmica que entra em consideração com todos estes conceitos, além dos padrões transgeracionais do passado que influenciam o indivíduo. Há duas áreas especiais de influência que tiveram um impacto importante na dimensão sistémica do trabalho de Constelações:
1. Terapias familiares transgeracionais (Capítulo 3)
2. Tradições Africanas Ancestrais (Capítulo 4)
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