Capítulo 5: Fenomenologia
Definição
A fenomenologia pode ser simplesmente definida como sendo uma técnica que reconhece o que é, sem preconceitos, nem preconceitos. É muito mais difícil do que parece à primeira vista e requer prática e treino mental.
Fenomenologia ocidental
A fenomenologia ocidental iniciou-se como um movimento filosófico. É o estudo do fenómeno: a aparência das coisas, ou as coisas tais como aparecem na nossa experiência, ou as maneiras como experimentamos as coisas, ou seja, o significado que as cosas têm na nossa experiência. A fenomenologia estuda a experiência consciente desde o subjectivo ou desde o ponto de vista do “eu”.
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A Fenomenologia foi desenvolvida por Edmunde Husserl (1859-1917). Foi influenciado por Immanuel Kant (1724-1804) o que desenvolveu a ideia que as estruturas mentais precedem a experiência. Estas ideias ainda hoje fazem eco em cientistas cognitivosque diriam que as estruturas mentais filtram a experiência. Desta forma, se duas pessoas têm estruturas mentais diferentes, então as suas experiências serão diferentes.
Na imagem da esquerda, uma pessoa daltónica vê o número “3”. Os outros vêm o número “8”. O que vê está mais determinado pelos receptores das cores na retina na parte posterior do olho, do que pelo desenho propriamente dito. |
Franz Brentano
Franz Bretano (1838-1917) também foi uma influência importante. Enfatizou a importância da análise subjectiva da nossa própria experiência. Também verificou a importância da primazia da intenção.
À primeira vista, que palavra vê no desenho que está em baixo? Se vê uma palavra a preto, pode, intencionalmente, olhar para a palavra oposta a branco. Esta é a primazia da intenção em acção.
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As duas palavras são
“Good” and “Evil” |
Da mesma forma, pode alternar entre as duas imagens possíveis como no desenho em baixo. Num, o branco está no primeiro plano e o preto está no fundo. Na outra imagem, o preto transforma-se no que está à frente.
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O fundo preto faz aparecer duas caras de prefil.
O fundo branco dá uma imagem de uma taça. |
Desta forma fica claro que reconhecer o fenómeno é um processo complexo. Uma parte intrínseca da nossa capacidade a estar numa atitude fenomenológica é a nossa capacidade de focalizar e abrir a nossa atenção. Um método de treino para desenvolver estas capacidades é o exercitar a "mente plena" ("mindfulness") que é apresentada no Capítulo 8: Fenomenologia Oriental
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A fenomenologia existencial desenvolveu-se a partir do trabalho de Martin Heidegger (1889-1976) que indicou a impossibilidade de separar as experiências vividas das crenças e práticas culturais consensuais (Varela 1998 p 19). Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) sublinhou isto quando disse que, como a fenomenologia é um discurso posterior à experiência, não pode recapturar a riqueza da experiência propriamente dita (Varela 1998 p 19). Portanto, a descrição de um pôr do sol não é a mesma coisa do que a experiência do pôr do sol. |
Durante a primeira metade do século XX, o psiquiatra suiço Ludwig Binswanger (1881-1966) foi o primeiro a combinar a psicoterapia e o existencialismo através do seu trabalho com pacientes como Director Médico de um sanatório.
A fenomenologia existencial começou a influenciar as psicoterapias de uma forma mais significativa com o desenvolvimento da psicoterapia existencial nos anos 60 e 70, como se viu no trabalho de Victor Frankl (1905-1997) e de Irving Yalom (n. 1931). A psicologia humanística e a Terapia Gestalt também foram influenciadas pela aplicação da fenomenologia existencial.
A enciclopedia Stanford de filosofia tem uma descrição muito boa e um resumo da fenomenologia Ocidental no site http://plato.stanford.edu/entries/phenomenology
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