Capítulo 6: Confundindo a fenomenologia e a visão interior que ela produz
A Fenomenologia também foi utilizada no início do século vinte por Karl Jaspers (1883-1969), um psiquiatra e filósofo Alemão, para descrever e definir sintomas como as alucinações e as ilusões na doença mental. A confusão ganhou muitos psiquiatras que chamaram à “fenomenologia”, a utilização destas categorias de sintomas para fins de diagnóstico. A maneira correcta de chamar este procedimento era de “psicopatologia descritiva” e não “fenomenologia”.

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A confusão surgiu porque os psiquiatras não estabeleceram a diferença entre o método fenomenológico e as informações que a fenomenologia dava acesso. É como se um cego que recuperou a vista, visse um cão e considerasse que é uma visão, em vez de considerar como uma das muitas coisas que ele agora podia ver.
Uma forma de entender este dilema é de ver a fenomenologia como um meio particular de percepção que nos permite percepcionar coisas que de outra forma permaneceriam fora da nossa consciência. Desta forma, a fenomenologia actua mais como um microscópio. Quando olhamos através de um microscópio, podemos ver organismos e estruturas que são invisíveis a alho nu. Assim, podemos percepcionar as relações entre as diferentes estruturas que vemos. |
A análise do que vemos não é a mesma coisa do que olhar através de um microscópio. Mesmo se a nossa análise for errada, poderemos sempre continuar a olhar através do microscópio. No entanto, o que vemos estará limitado pela qualidade do microscópio. Somos capazes de garantir a exactidão do que vemos com a ajuda do microscópio, verificando as nossas observações com outras fontes de conhecimento, como por exemplo, através do comportamento conhecido das estruturas que estamos a observar. De forma similar, a exactidão das nossas observações fenomenológicas estará limitada pela qualidade da nossa técnica fenomenológica. Felizmente, as nossas observações fenomenológicas também podem ser verificadas através de factos conhecidos no sentido de verificar a sua exactidão.
Quando Hellinger utilizou o método fenomenológico, permitiu-lhe descobrir os princípios que sustentam a maneira como fluí o amor nas famílias. Ele apelidou estes princípios como “as ordens do amor”. Também houve confusão entre estes princípios e o método fenomenológico. É útil sembrar o aforismo simples: “Olhando através de um microscópio, pode ver um microorganismo, mas o microorganismo não é o microscópio”.
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