Capítulo 8: Fenomenologia do Oriente
Também se deve notar, que a técnica Budista normalmente referida como consciência plena (“mindfulness”) representa a quinta essência do método fenomenológico e esta técnica existe há mais de 2500 anos. (Varela et em 1993). Nos escritos Budistas tradicionais, a consciência plena é conhecida como Vipassana .
Definiu-se a consciência plena como “a auto regulação da atenção de forma a mantê-la centrada na experiência imediata, permitindo assim um maior reconhecimento da percepção dos acontecimentos mentais no momento presente” e como “uma orientação particular às experiências do momento presente, uma orientação que se caracteriza pela curiosidade, abertura e aceitação” (Bishop 2004).
Para o desenvolvimento da capacidade da consciência plena, a tradição oriental tem práticas de treino a longo prazo. O centro da prática é, habitualmente, a prática da meditação sentada. No entanto, os que praticam a consciência plena, intentam incorporar esta abordagem em todas as suas actividades quotidianas através da prática de técnicas de consciência plena em acção.
Nestes os últimos 30 anos, desenvolveram-se e validaram-se experimentalmente uma série de terapias de consciência plena. Isto começou com o trabalho de Jon Kabat-Zinm com a Redução de Stress baseado na técnica da consciência plena (Mindfulness Based Stress Reduction - MBSR) em 1979. Em paralelo, houve uma explosão de investigações sobre o cérebro que trouxe uma clarificação do processo da consciência plena e por consequência da fenomenologia.
Como o cérebro é o órgão da mente, é reconfortante verificar as mudanças no cérebro quando se faz uma meditação. O significado destas mudanças positivas no cérebro, associadas à meditação, é que os processos envolvidos na adopção da postura fenomenológica podem ser treinados e fortalecidos.
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Mesmo as pessoas que só tenham estado a meditar regularmente por um período de oito semanas, mostram um aumento no fluxo sanguíneo para a zona frontal esquerda do cérebro (Davidson et em 2003). Esta é um área importante na formação das intenções e no controlo da atenção. Estas duas faculdades são críticas na prática da fenomenologia.
Lazar et al (2005) descobriu que quem pratica, a longo prazo, a meditação da consciência plena, tinham aumentado a espessura do córtex das zonas pré-frontais do cérebro e da ínsula direita. Estas estruturas parecem estar relacionadas com a empatia e com a auto-observação. |
Certas zonas do cérebro são mais espessas nos que praticam a meditação, do que nos controladores que não meditam. Os gráficos mostram a idade e a espessura cortical de cada indivíduo, vermelho = controladores, azul = meditadores.
Link: YouTube - Mindfulness with Jon Kabat-Zinn
Referências
Bishop, Scott R., et al ( 2004) Mindfulness, A proposed Operational Definition Clin Psychol Sci Prac 11: 230-241
Davidson, Richard J., Kabat-Zinn, Jon, et al. (2003). Alterations in brain and immune function produced by mindfulness meditation. Psychosomatic Medicine , 65, 564-570.
Lazar Sara W, et al (2005) Meditation experience is associated with increased cortical thickness . NeuroReport; 16:1893-1897.
Varela Francisco J., Thompson Evan T., Rosch Eleanor (1992) The Embodied Mind: Cognitive Science and Human Experience MIT Press Massachusetts
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